terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Ontem vi-te no metro

Entrei, sentei, fechei os olhos e viajei. Quando dei por mim estava longe. Longe daquele lugar. De vez em quando preciso disso, de viajar, de sair de onde estou, nem que seja mentalmente. Abri os olhos lá estavas tu, sentada a minha frente. Sorrias de uma forma encantadora. Falavas ao telemóvel e fazias isso com classe, ao contrário das outras. «Tu, miúda, tu és a tal!» – Pensei eu. Veio me cabeça mil uma coisa que podia fazer contigo. Desde passear de mãos dadas em plena Avenida da Liberdade até ao sexo num banco de jardim. Eu sou assim, incoerente e doente. Mas a verdade é que não tive coragem para te falar. Não conseguia pensar. Estava estático. Os teus olhos falavam comigo e eu nem sequer sou o Daniel Oliveira, nem nós estávamos no Alta Definição. Mas não eram só os teus olhos que falavam comigo, as tuas mamas também o faziam. Faziam troça de mim não sei porquê. «Para mim chega, vou-me a elas!» - disse para mim. E quando estava decidido em ir ao encontro delas surgiu o senhor do acordeão e com o Chihuahua no ombro esquerdo. Que chatice! Lá se foi o entusiasmo. Nem sei como as pessoas conseguem apaixonar-se no metro.

Eu vejo pessoas no metro, tal como vocês mas assim que saio esqueço-me delas. Porque é isso que acontece quando se está fechado num espaço com várias pessoas a apertarem-nos e um tipo que insiste em tocar um acordeão enquanto vagueia pela carruagem, só porque alguém lhe disse que essa era a forma mais fácil de nos estorquir dinheiro.

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