sábado, 1 de março de 2014

Se um dia eu morrer...

Se um dia eu morrer que não seja numa praia, e se for numa praia que não seja numa praxe. Se um dia eu morrer que seja como nasci, sozinho. Que não sejamos dois, três, muito menos seis. Se um dia eu morrer que não esteja vestido de preto, se tiver que ser ao menos que seja por estar nu, tal como vim ao mundo. Se um dia eu morrer que não seja na presença de nenhum Dux. Não gosto de pessoas que gritam comigo, muito menos quando estou prestes a falecer. Se um dia eu morrer que seja por causa de uma onda, sim. Uma onda de amor, uma onda de parvoíce, ou estupidez, uma onda de Sida, cancro, ou mesmo uma onda de cenas, também é válido. Mas nunca uma onda que pudesse ser surfada pelo Macnamara. Se um dia eu morrer que não seja no Meco, que seja na minha casa de campo que custou 2 milhões de euros aos meus pais. Se um dia eu morrer que a minha morte não seja dissecada na Comunicação Social só porque sim. Se um dia eu morrer que não se faça, investigações parvas, reconstituições, igualmente, parvas. Se um dia eu morrer que a minha mãe seja a primeira a saber. Se um dia eu morrer que o meu corpo não demore muito a ser encontrado, estar demasiado tempo dentro de água é capaz de fazer-me mal. Se um dia eu morrer que não se diga que me viram com pedras atadas nos pés, isso seria doentio e eu jamais faria tal coisa, mãe. Se um dia eu morrer que não se fale de mim nas redes sociais. Não quero, não gosto, e não o façam. Se um dia eu morrer que não se faça manchetes nos jornais todos os dias só porque sim, não aceito que se ganhe dinheiro à minha custa. Se um dia eu morrer que não se use a minha morte como argumento para o que quer que seja. Deixem-me em paz. Eu morri. A morte é minha, não sejam invejosos. Se um dia eu morrer não chorem , isso é sinistro e já foi feito. E toda gente sabe que para um comediante o “já foi feito” é das piores coisas que se pode ouvir. Não chorem, masturbem. Se um dia eu morrer paciência. Havemos de morrer todos. 

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